Música é Vida!

Por

Felipe Burgos

Essa foi uma das primeiras perguntas que fiz aos meus alunos quando comecei a trabalhar na escola na qual leciono atualmente. As turmas eram do 6° ao 9° ano do ensino fundamental, ou seja, pré-adolescentes e adolescentes. Como era de se imaginar vieram respostas das mais variadas, dentre elas algumas no nível da “razão” e outras mais “poéticas”. E aí, cheguei ao ponto de ter que responder e dar validade aos seus pontos de vista. “Qual das respostas foi a correta?”, respondi: “Todas.”.
Nós, enquanto músicos, alguns da academia outros não, prendemo-nos e acreditamos que música é somente algo, como define Bohumil Med em sua Teoria da Música : “É a arte de combinar os sons simultânea e sucessivamente, com ordem, equilíbrio e proporção dentro do tempo.”Não está errado! Mas é apenas um ponto do vista que, diga-se de passagem, prende-se tecnicamente às possibilidades de uso da matéria prima da música: o Som.
Gosto de entender o som como uma sensação auditiva produzida pelo cérebro, quando as ondas sonoras, oriundas de alguma coisa (eu ia colocar um material, mas ainda fico intrigado sobre o som dos trovões. A gente não consegue tocar o céu, sendo assim ele não é matéria – por favor - corrijam-me, se eu estiver errado. O que vibra para esse som acontecer?) em vibração, chega aos nossos ouvidos. Dessa forma, fica claro que algum som acontece porque algo está vibrando. Rubem Alves - até o presente momento da minha vida é o meu escritor/pensador/educador preferido e principal referência em educação e filosofia, disse: “Sem argumentos ou provas, o corpo vibra.”. Após ler essas palavras hoje, ficou mais claro para mim que nós somos música! O corpo é uma das representações da vida, então, se o corpo vibra, produz ondas, essas que chegam ao aparelho auditivo (ainda acredito ir muito além disso) e que nos causam a sensação inefável da música.
Acredito ainda que essa vibração que emanamos não está ligada apenas ao corpo físico, mas aos campos de energia, de informação e espiritual que nos compõem, ademais, não podemos esquecer também de considerar o contexto sociocultural de cada ser.
Nós somos complexos! E a música deixa isso muito claro já que temos uma variedade infinita de sonoridades no ocidente e oriente, cada uma com finalidades diversas com as quais o indivíduo irá se identificar e se perceber em sua complexidade.
“Música é vida!”, essa é a minha resposta para a pergunta que abre essa conversa. Digo isso porque acho que reduzir algo grandioso e divino como a música a um mero fazer técnico-prático ou a um fenômeno físico, é não comtemplar o seu potencial de formação integral do indivíduo e sua complexidade, principalmente quando esse passa a se conhecer através das músicas, nem permitir que ela, enquanto elemento artístico e também área do conhecimento científico, dialogue com outras instâncias da arte, do saber e da vida.
Sugiro que nós, músicos e não músicos também, permaneçamos sempre refletindo sobre o que é música e tentemos nos desprender do ego que nos diz que nossa forma de ver é a única, verdadeira e absoluta, existente no mundo. Por isso que acredito que nenhum daqueles meus alunos estavam errados, porque todas as respostas falavam o que eles podiam naquele momento.
Dou o primeiro passo na minha caminhada na escrita sobre a música e a vida, que são sinônimos, com travessias vindouras mais largas, com mais espaços contemplativos e intrigantes. Espero que você que está lendo se sinta livre a interagir nesse espaço para todos nós.
Para “não finalizar” (pois minha intenção é deixar sempre abertura para mais reflexões), deixo novamente a pergunta que devemos nos fazer sempre, assim como todas as várias perguntas que movimentam o mundo, mas que nunca devem ser dadas respostas verdadeiramente absolutas: “O que é música?”.

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